O Alien e a música

Para esquecer um pouco dos problemas, vim aqui escrever alguma coisa e descansar a cabeça.  Vou tentar falar um pouco sobre música. Na verdade sobre como foi acontecendo a evolução musical em minha vida.

Sempre digo que quando pequeno eu simplesmente não pensava e fato engraçado é que eu não lembro de muita coisa da minha infância e o pouco que lembro são fatos bem isolados que me vem a cabeça sem nenhuma noção de tempo, ou seja, eu posso até lembrar, mas esqueça idade, ano e coisas do tipo porque eu não vou conseguir localizar tal lembrança. Pois bem, sobre a música na minha infância eu lembro de:

1) Gostar de um LP do Raul Seixas
2) Gostar de um LP que tinha a música “O bagaço da laranja”.
3) “Trabalhar” para comprar uma fita K7 de Cavaleiros do Zodíaco.
4) Jogar Donkey Kong Country 2 enquanto escutava rádio de pagode.

Não era muito fã de muito grupo, escutava por escutar, era a única coisa que conhecia e tinha acesso. Lá pela sétima ou oitava série (é, as vezes eu consigo lembrar das coisas pela série em que estudava e assim localizo o ano e a idade que tinha na época) as coisas começaram a mudar, comecei a ser influenciado a escutar um tal de Rock, mas nunca dava certo, ou me apresentavam as músicas com caixas de som em que não se escutava nada, ou então as letras eram em inglês e a tradução que me mostravam eram algo do tipo “Polly quer biscoito“, o que não me convencia muito. Mas o principal fato que aconteceu nessa época é que eu acho que comecei a tentar pensar.

Na época eu estava já cansando dos tais pagodes e então surgiu a minha salvação, começou a invasão do axé. Como eu agradeço aos baianos por terem inventado ritmo tão abençoado. A rádio que escutava começou a tocar Axé e como eu simplesmente não suportava as músicas decidi que já que não dava para escutar rádio, desistiria da música. Para que ficar escutando os pagodes, se sem mais nem menos poderia surgir um axé na minha frente? Preferi não correr o risco.

E assim foi por mais ou menos 1 ano, não me lembro o que fiz nesse tempo sem escutar nada, provavelmente dormia no ônibus, escutava os sons dos jogos e parei de gastar dinheiro com pilhas. Entrei para o curso de inglês e a partir daí novas influências ao Rock passaram a aparecer e dessa vez com muito mais conteúdo, me apresentaram coisas como: Black Sabbath, no curso de inglês eu ligava a MTV e passava um clipe dos Strokes (quem me mostrou Black Sabbath falou mal dos Strokes, só para constar) e o que mais me animava é que eu conseguia entender as letras e a grande maioria falava de coisas que faziam sentido, e que expressavam o que eu sentia.

O curso de inglês também, fez mudanças no meu modo de ver os jogos, mas isso já é outra historia.

Isso tudo me fez ressuscitar meu velho Walkman e passando pelas estações fui conferir uma rádio que eu já tinha ouvido falar antigamente, a Rádio Cidade. Lembro da primeira vez que a escutei, na volta para casa dentro do ônibus, liguei todo inocente (depois eu fui entender coisas como jabá e capitalismo) esperando ouvir Paranoid do Black Sabbath e o locutor da rádio disse: “Agora vamos escutar uma música de uma banda nova, que é sucesso em todas as paradas da Europa. Com vocês Coldplay“.

¬¬ Esse fato me fez ter um desprezo mortal pelo Coldplay, coisa que não sei explicar direito até hoje.

Enfim, não gostei da música, não era Black Sabbath, desliguei o rádio.

Mas por pura teimosia não desisti, com muita insistência fui gradualmente começando a entender o mundo do rock, de forma bem lenta, comecei a ouvir os nacionais (já que continuava sem muito acesso aos clássicos. Ninguém colocava Black Sabbath para tocar em lugar nenhum!!!) que na época eram principalmente Charlie Brown Jr e CPM 22 e comentava todo bobo com os coleguinhas: “Eu gosto de Rock, mas só dos Nacionais. Já escutou CPM???? (que na época ainda nem tocava nas rádios)“.

Com o aperfeiçoamento do meu inglês, fui começando a desbravar o cenário internacional que tocava nas rádios. E comecei a ter acesso a internet, podia agora baixar umas músicas nos fins de semana, gravar os cds que me emprestavam, enfim a parte do acesso a música havia melhorado consideravelmente. E assim eu conheci o tal do Heavy Metal Melódico (eu tinha medo da palavra Heavy Metal) e principalmente o Nightwish. Comprei todos os cds, fui ao show da banda tendo prova na faculdade na manhã seguinte e eu continuei minha jornada conhecendo cada vez mais coisa.

Conheci o Fred, o autor do texto anterior, na faculdade e aí sim, finalmente tive acesso aos clássicos que tanto esperei da rádio (que infelizmente pereceu diante das novas modalidades de axé que são o funk e o hip hop e acabou acabando), incluindo Black Sabbath, e historias de bastidores, recomendações de músicas, enfim, nunca conheci tanta coisa nova antiga.

Hoje em dia, com a faculdade terminada, estou somando toda essa historia que contei e aproveitando bastante as músicas que acumulei. No momento tenho escutado muita coisa nacional, mas bem diferente daquele inicio lá. São obrigatórios no meu mp3 player:

Cachorro Grande;
(Dr.) Cascadura;
Móveis Coloniais de Acaju;
Los Hermanos;
Jet;
NV;
Rainbow;
Deep Purple;
AC-DC (sensacional);
Black Sabbath;

Continuo não entendo nada de músicas, não posso discutir sobre viradas de bateria ou riffs de guitarra. Geralmente as músicas me conquistam pelas letras. Só começo a gostar de um novo cd a partir da terceira vez que escuto e não tenho o menor talento para tocar nenhum instrumento. Na verdade eu não sei nem assoviar. Só sei que eu amo a música e principalmente eu amo o Rock!